sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

GENÉTICA Y HERENCIA EN LA CANARICULTURA DE CANTO - Genética e herança na canaricultura de canto

GENÉTICA

GENÉTICA E HERANÇA NA CANARICULTURA DE CANTO

ÍNDICE:

1) INTRODUÇÃO
2) HERANÇA E SEUS MECANISMOS : GENÉTICA
3) GENOTIPO CANORO: SISTEMA DE CONTROLO DO CANTO
4) MELHORAMENTO GENÉTICO
5) ASPECTOS GENÉTICOS NO DESENVOLVIMENTO DE UMA ESTIRPE: CONSANGUINIDADE, VIGOR HÍBRIDO E CONTROLO DA CONSANGUINIDADE
6) CONCLUSÕES
7) BIBLIOGRAFIA


1) INTRODUÇÃO :

Interessa conhecer como se transmite as capacidades canoras através da hereditariedade, mediante os genes herdados. A canaricultura do canário de canto Timbrado Espanhol tem a dificuldade de ser adicionado sobre outros tipos de criação , devido à complexidade da actividade canora e o deficiente conhecimento da sua fisiologia; isto acrescenta  complexidade e  compreensão da herança do canto.
Todo programa de canaricultura tem como objectivo o melhoramento genético.
Neste processo de melhoramento genético, interessa muito conhecer que propriedades do canto são dependentes do genotipo e quais de sua iteração com os factores meio ambientais mais influentes, até concretizar o fenótipo. Assim, ao analisar qualquer aspecto do canto, poderíamos distinguir se este é mais dependente da dotação genética, e portanto  , ou dos factores ambientais modificáveis, em cujo caso seria não hereditário .  coloca-se hipóteses que o canto aprendido sem a possibilidade de imitação de um modelo adulto, logra que a execução do dito  canto reflecte melhor o genotipo dos canários, sem ver-se falseado pela imitação do canto de outro pássaro. Assim, a selecção dos indivíduos, realizada segundo o seu canto, poderá equivaler a uma selecção dos genotipos mais adequados no processo de melhoramento genético. Outra hipótese alternativa afirma que a descontinuidade realizada no canto do Timbrado não é reflexo dos genes, senão do processo de aprendizagem ao que tem sido submetidos, e que qualquer canário não descontinuo, cantaria uma canção descontinua, se assim o aprenderam de um modelo adulto na voadora; esta mesma hipótese acrescenta-se que se um pássaro de linha descontinua fora educado com machos não descontínuos, aquele cantaria de forma não descontinua. Estas hipóteses expostas nos empurram ao tentar conhecer mais profundamente o mecanismo do canto, sua aprendizagem e sua relação com o genotipo canoro do Timbrado.
No presente artigo desenvolveremos os seguintes pontos de interesse, relacionados com a genética do canto dos nossos canários: faremos uma revisão da hereditariedade e a genética aplicadas aos canários; descreveremos os componentes do genótipo canoro; por último, colocamos alguns critérios úteis para o melhoramento dos nossos canários de canto, assim como para a criação em consanguinidade e do fomento do “vigor híbrido”.

2) HEREDITARIEDADE E SEUS MECANISMOS : GENÉTICA


Neste ponto desenvolveremos aspectos sobre a hereditariedade e genotipo, cromossomas e genes, hereditariedade qualitativa e quantitativa, hetero cromossomas e autosomas, e sobre os gâmetas ou células sexuais : Herança e Genotipo: em sentido amplo e biológico, herança/hereditariedade  significa a transmissão dos caracteres biológicos dos progenitores aos seus descendentes. Tal como a conhecemos hoje, a essência da herança baseada na fecundação das células sexuais masculinas e femininas dando lugar ao ovo, embrião, feto e, por último, ao animal adulto, não foi conhecida em profundidade até à metade do século XX, quando Watson e Crick em 1953 propuseram o modelo básico do ácido desoxirribonucleico (ADN) como suporte da informação genética.

1. É importante distinguir qual é esta informação genética que se herda desde um animal até aos seus descendentes. Convêm esclarecer que as características morfológicas, de produção, de canto, etc., que apresenta um determinado canário, são o produto da acção da informação genética escrita nos seus genes e da do meio ambiente no que tem desenvolvido. Assim, compreenderemos que dois canários filhos dos mesmos pais, possam expressar distinto canto, não só por não ter idêntica informação genética, se não dependendo se tem nascido em distinto mês do ano, se tem tido distinta alimentação, se tem crescido com distinta luminosidade em voadoras, se tem tido distinto estímulo auditivo (professor um e o outro não, etc.): todos esses são factores que constituem no meio ambiente que tem influído sobre a informação genética, muito similar de ambos os irmãos. a variabilidade não é sempre das características concretas de um canário está altamente relacionada com os seus genes: Na proporção dessas características que depende dos seus genes, chama-se herdabilidade .

2. Os caracteres com uma alta herdabilidade permitem conhecer os exemplares com melhores genes, a partir do conhecimento das suas qualidades. Em geral, os caracteres de canto nos canários, assim como de conformação e de produção de gado  tem uma herdabilidade de tipo médio-alto, enquanto que os caracteres reprodutivos tem uma herdabilidade baixa. Pois bem, a esta informação que está nos genes, que regula todas as características dos canários e que transmitem aos seus descendentes, chama.se o “genotipo”; as características que concretamente apresentam os nossos exemplares, suma da acção da informação genética mais a do ambiente, conhece-se-o como “fenotipo”.                                             
O que se herda é o genotipo, não o fenotipo; isto quer dizer que, no canário cantor herdam-se umas capacidades para o canto, mas não a canção concreta que tenha o macho, que pode tê-la aprendido ou não, nem as faculdades de canto que tenha desenvolvido, graças à interacção com o seu meio ambiente.

b) Cromossomas e genes: as cadeias de ADN1 dão lugar aos “cromossomas”3, que agrupam-se por pares com uma forma de "tranças": um que se recebe da mãe e outro do pai. Estas duas cadeias ou cromossomas possuem lugares, um em frente do outro onde  escreve-se por duplicado a informação para desenvolver cada uma de las características do animal, podendo ser estas informações idênticas ou diferentes: se são idênticas, diz-se que há “homozigotia” e, se são diferentes, diz-se que há “heterozigotia” para uma característica concreta. 
Dentro de um cromossoma, cada lugar com a sua informação correspondente recebe o nome de “gene”, e aos pares de lugares dos cromossomas emparelhados com as suas informações para um mesmo carácter, recebe o nome de “alelo”. Quando os dois genes de um alelo são idênticos ou homozigotos,  manifesta-se sem problema no fenotipo a característica em questão, mas se os dois genes



de um alelo são diferentes, podem ocorrer duas coisas: que o fenotipo expresse a acção de um dos dois genes do alelo, o que o fenotipo não expressa a nenhum dos genes do alelo, senão uma mistura de ambos: no primeiro caso, diz-se que o gene que se expressa no fenotipo é “dominante” respeito ao outro que chama-se “recessivo”, enquanto que no segundo caso, diz-se que existe “domínio” a respeito aos dois genes; para que um gene recessivo expresse-se no fenotipo, é necessário que se apresente em homozigotia, como o branco recessivo nos canários. No canário de cor  dão-se muitas dominâncias a respeito a genes recessivos, como as seguintes: branco dominante domina sobre o amarelo, oxidação sobre diluição, no pastel sobre pastel, no opala sobre opala, no satiné sobre satiné, no marfim sobre marfim, presença de eumelanina negra sobre melanina castanha castanho, negro bruno sobre Ágata, Ágata sobre isabela, plumagem intensa sobre plumagem nevada, etc. Estes genes podem alterar a sua informação por alguma circunstância concreta, sofrendo o que se chama “mutação”, que se transmitirá igualmente aos seus descendentes.

c) Herança qualitativa e quantitativa: A transmissão dos genes que regulam um carácter qualitativo, como são as características de cor e textura da pena, que acabamos de citar, tanto os mutados como os não mutados, constituem a chamada “herança qualitativa”. Esta realiza-se, como é sabido, seguindo as leis de Mendel 3. contudo, existem outras características não qualitativas e mais complexas, como aquelas que regulam todas as funções relacionadas com o canto do canário, que estão reguladas pela conjunção de numerosos genes que interagem entre si formando como uma rede. Estas funções são as seguintes:

    a) desenvolvimento, manutenção e funcionalidade do “Sistema de controlo do canto”, composto pela “Rede de núcleos cerebrais” que, possibilitam o “Modelo do mecanismo de aprendizagem” característico do canário, e pela “Modulação hormonal” sobre os núcleos cerebrais, sobre a anatomia das estruturas relacionadas com a fonação, e sobre a coordenação neuro-muscular necessária para a execução do do canto 4, 5.

     b) controlo dos períodos de aprendizagem evolucionando entre as fases da canção plástica ou de modificação activa do canto,  e da la de canção estáveis.

    c) Diferenciação sexual do cérebro que é devido mas a esta rede de genes e não tanto a uma diferenciação hormonal, gónada-dependentes;

    d) comportamento social derivado do uso do canto, para funções de defesa territorial, de cortejo, de formação de colónias, etc. Todos os genes envolvidos na regulação do canto através das funções citadas transmitem-se em conjunto sem seguir as leis da “herança mendeliana” e regem-se por critérios de “herança quantitativa”; não se podem estudar gene a gene, senão mediante o uso exaustivo da estatística .

d) Hetero cromossomas e autossomas : O número de cromossomas existentes dentro dos núcleos das células é constante para cada espécie, ainda que  varia de uma espécie a outra; assim, enquanto que o homem possui possui 46 cromossomas ou 23 pares deles, o canário possui 40 cromossomas ou 20 pares: uno procede de la madre e outro do pai . O par de cromossomas que determinam o sexo recebem o nome de cromossomas sexuais ou “heterocromossomas”, e o ao resto chamam-se “autossomas”. Na raça humana, a transmissão do cromossoma Y do par de hetero cromossomas XY dos varões (as fêmeas tem XX) determinam o sexo masculino, sendo portanto os varões os que determinam o sexo; nos canários a transmissão do cromossoma W do par de heterocromossomas ZW das fêmeas  (os machos tem ZZ) determinam o sexo feminino: sendo a fêmea, portanto, quem determina o sexo, ao transmitir o cromossoma W3. 
Este cromossoma W das aves fêmeas  é muito reduzido  muito reduzido de tamanho e carece prácticamente de informação genética, a excepção de determinar o sexo. Por esta circunstancia, dependendo de si um gene que se herda está nos cromossomas sexuais, ou não, diz-se que uma qualidade se herda “ligada ao sexo” ou “não ligada ao sexo”, respectivamente; no caso afirmativo, o gene em questão se alojará no cromossoma Z e, dependendo de que seu descendente seja macho ou fêmea, se oporá a outro gene de outro cromossoma Z com o que faz par, no primeiro caso, ou não se oporá a nenhum outro gene, pois o cromossoma W das fêmeas  praticamente carece de acção genética. No canário  transmitem-se os seguintes factores ligados ao sexo: marfim, pastel, satiné, melanina Isabela, melanina castanha, melanina Ágata, melanina negro bruno, etc.

e) Gâmetas ou células sexuais: agora nos toca ver como esta informação genética armazenada nos cromossomas, dentro do núcleo de las células de los progenitores, pode chegar a conformar um organismo novo ao que transmitem dita informação. Efectivamente, tanto o macho como a fêmea, tem a capacidade de gerar nos seus órgãos sexuais, testículos e ovários, unas células chamadas sexuais ou gâmetas - espermatozóides e óvulos- respectivamente, que se diferenciam do resto de células do organismo em duas coisas: uma por ter só a metade de cromossomas, 23 no caso das pessoas e 20 no  caso dos canários: tem perdido pois seus pares de cromossomas correspondentes graças a um processo chamado “meiose”1; a outra é a de haver sofrido previamente um processo de intercâmbio de genes entre las pares de cromossomas procedentes da mãe e do pai, possuindo os novos cromossomas das células sexuais genes de ambos, misturados ao acaso. 
Esta é a razão pela qual a dotação genética dos espermatozóides e óvulos de um mesmo individuo são distintos entre si e, em consequência, dois irmãos dos mesmos pais tem um distinto genotipo, podendo ser um canário magnífico cantor e seu irmão de ninho um péssimo cantor. Quando um espermatozóide fecunda um óvulo da canária, se unem os dois núcleos de las células sexuais e dão lugar ao ovo fecundado que, sumando os cromossomas de um e outro, volte a ter o número normal de cromossomas da sua espécie. Este ovo fecundado, por divisão e diferenciação  sucessivamente governadas pelo genotipo herdado e baixo na influencia do meio ambiente, da lugar a um novo individuo.

3) GENOTIPO CANORO: SISTEMA DE CONTROLO DO CANTO

A informação que está nos  genes e que regula todas as funções relacionadas com o canto dos canários e que se transmitem aos seus descendentes, conforme o genotipo canoro. Nos seguintes parágrafos  compararemos o genotipo com o fenotipo canoro, Falaremos dos componentes do genotipo.

a) Genotipo e fenotipo canoro: como veremos mais adiante,la dotação genética de cada pássaro cantor determina o desenvolvimento de uma rede de núcleos cerebrais relacionados com o controlo do canto que tem uma estrutura e funções canoras específicas para cada espécie; também determina a formação do eje hipotálamo-hipofisário-genital que se encarregará do controlo das hormonas sexuais, como a testosterona, que modulará a função desses núcleos e outras estruturas canoras. A rede de núcleos cerebrais, junto com o eje hipotálamo-hipofisário-genital, conformam o chamado  “Sistema de controlo do Canto”. Este sistema faz o possível  desenvolvimento de uns mecanismos naturais –mecanismos básicos do canto-



que governam a aprendizagem , manutenção e renovação das estações do comportamento canoro, fundamentalmente durante os períodos n os que aprendem com mais facilidade: “Período crítico de aprendizagem” ou “Período sensitivo”. Este período, junto com o “sexo cerebral” e o comportamento social associado ao uso do canto também estão determinados pela herança genética (Figura 3).
Este genotipo sofre a interacção com factores meio ambientais, que conduz ao desenvolvimento de uma estrutura nervosa e a um canto específico para cada individuo, formando um determinado fenotipo canoro.
Dentre destes factores meio ambientais, destacam-se pela sua importância a experiência auditiva, a experiência social, os níveis sucessivos de testosterona no sangue -dependentes do funcionamento de estruturas hipotalámicas, ad-renal e testiculares estimulados pela duração da luz do dia (fotoperiodo)-, a alimentação e estado de saúde.

É importante ter em conta, portanto, que quando analisamos o canto dos nossos canários, o que estamos analisando é o resultado da interacção entre os seus genotipos e os factores meio ambientais aos que tem estado expostos. A exposição, ou não, a qualquer a destes factores meio ambientais e à diferente medida da exposição durante o desenvolvimento, podem modificar o resultado final do canto (fenotipo), ainda que existira uma similitude significativa no genotipo dos pássaros sobre os que actuam: portanto, temos que ter em conta esta consideração, pois o canto não sempre refleja um determinado genotipo, se não  há que conhecer tambem os factores meio ambientais que tem influido durante o desenvolvimento.
Em consequência, se na canaricultura alteráramos o normal funcionamento do “sistema de controlo do canto”, modificando os “mecanismos básicos do canto”, -por exemplo lesionando algum núcleo cerebral-, o canto resultante seria um canto patológico, não uma variação natural do canto estereotipado da espécie. Pelo contrario, a modificação e optimização dos factores ambientais influentes sobre estes “mecanismos básicos do canto” -como p isolamento auditivo, o uso de sobre-estimulação auditiva mediante a audição prolongada da radio, a modificação das horas de luz no dia ou fotoperiodo e/ou da interacção social, ou a adaptação do correcto estado de saúde que garanta adequados níveis de testosterona, etc.-, poderia optimizar de forma natural o canto. Rede de núcleos cerebrais e sua relação com o Modelo do mecanismo de aprendizagem ou Mecanismos básicos do canto: A rede de núcleos cerebrais, está formado por duas vias (Figura 4). 
A primeira é a via motora descendente, que envia seus neurónios até à seringe e músculos respiratórios, e controla a execução do canto e a respiração; a função desta via é necessária para a produção do canto e a sua aprendizagem durante a fase sensorial-motora. A segunda é a via auditiva ascendente, que transporta a informação auditiva criada na cóclea (ouvido) hasta los núcleos cerebrais, e participa na discriminação, codificação e, provavelmente, memorização do som , tanto do canto procedente de um modelo adulto como do próprio canto vocalizado; assim, participa na fase sensorial de aprendizagem e pode ser o lugar onde se memoriza uma “ficha auditiva”, assim como donde registará-se-a a diferença entre os sons ouvidos do modelo adulto e os vocalizados pelo próprio pássaro 10 . 
Esta percepção, memorização e comparação do próprio canto respeito a outros permite elaborar uma informação com a diferença constatada -“erro acústico”- e enviar aos núcleos motores umas ordens para corrigir o dito  “erro acústico”, confirmando-se assim um mecanismo de ajuste automático do canto, Modelo de aprendizagem o “feed-back auditivo” (Figura 5). Estes conhecimentos tem-se comprovado evidenciando que os estímulos auditivos


do canto desencadeiam nestas estruturas a expressão de genes zenk, que aumentam a plasticidade neuronal; quer dizer, desencadeiam processos moleculares e celulares associados a genes que modificam os circuitos relacionados com o canto e a memorização.

a) Modulação hormonal sobre los núcleos cerebrais e do canto: As hormonas são substancias libertadas no organismo, que produzem um efeito biológico determinado  nas células que tem receptores específicos para cada uma delas. A união das hormonas com seus receptores, induz um determinado efeito biológico; as hormonas não actuam sobre as células que não tem os seus receptores específicos.
Las hormonas esteróides sexuais (andrógenos e estrógenios) são produzidas nas glândulas supra renais e nas gónadas, mas, nos canários, também , e de forma mais importante,no cérebro . A associação entre as hormonas sexuais e o canto tem sido conhecida desde antigamente, constatando a relação estreita entre o período de criação e a produção de canto. Desde a década dos anos 70, identificaram-se núcleos cerebrais relacionados com o canto, constatando-se também que estes núcleos estava, modulados por estas hormonas sexuais, ao apresentar  um número abundante de receptores e aos andrógenios e estrógenios ; receptores que são mais abundantes durante a época de criação e menos depois dela.
Hoje  pode-se afirmar que o desenvolvimento e posterior atrofia dos núcleos cerebrais e do canto, são dependentes da estações -duração do dia ou fotoperiodo-, e estão determinados pelos níveis  sanguíneos de testosterona testicular (Figura 6). Sabe-se  também que o tamanho do repertório do canto dos canários, depende do tamanho de alguns dos seus núcleos do telencéfalo anterior. A testosterona é transportada ao cérebro e ali é degradada pela enzima aromatase aos metabolitos  secundários activos que actuam  sobre os receptores dos núcleos cerebrais aumentando o seu desenvolvimento e, em consequência, a produção do canto. Além disso, a testosterona induz uma hipertrofia dos músculos seríngeos, preparando-os para um aumento na produção do canto. Há que ter presente que os níveis de testosterona possam ser  também alterados pelas  interacções sociais (interacção com fêmeas , com outros machos, ou necessidade de defender um território) e pelo próprio canto da ave.
Como resumo podemos dizer que as acções das hormonas esteróides sexuais sobre o sistema de controlo do canto as podemos classificar em três tipos:

1) Acção organizativa durante o desenvolvimento : organiza as estruturas cerebrais responsáveis do canto, dando lugar, provavelmente, ao dimorfismo sexual e ao comportamento canoro: os machos cantam mais que as fêmeas  .
Efectivamente, o estímulo precoce com a testosterona as fêmeas  durante períodos críticos do desenvolvimento, dá lugar a uma estrutura cerebral e a um comportamento canoro masculino de forma permanente, ainda que  com menor repertório de sílabas

2) Acção estimulante : a  contribuição  de testosterona nos canários adultos, estimula o crescimento das estruturas cerebrais relacionadas com o canto e estimula o rendimento canoro, fazendo cantar também as fêmeas . A diferença de quando se administra durante o desenvolvimento, estas trocas  duram nada mais que enquanto os níveis desta hormona permanecem altos: as trocas não são permanentes.


3) produz neurogenesis: a contribuição de testosterona no canário adulto dá lugar a um aumento da sobrevivência e a um recrutamento de novos neurónios determina os núcleos cerebrais e a seus arredores, contribuindo o seu desenvolvimento e sua reparação .

4) MELHORAMENTO GENÉTICO:


Para avançar no melhoramento genético dos nossos canários, segundo umas prioridades nas características do seu canto e/ou morfológicas, nós devemos basear em dois princípios: seleccionaremos os indivíduos melhor dotados para as características que interessem e acasalemos estes indivíduos seleccionados. 

Além disso, é preciso trabalhar com uma população bem definida e uniforme, para o qual é necessário que a população com a que trabalhamos seja fechada, que dizer que  seus indivíduos não se reproduzam com animais diferentes a esta população. Portanto, é conveniente aclarar uma série de conceitos básicos acerca das populações de canários en los que intentamos conseguir uma melhoria genética, como são a relação entre a morfologia e a actividade canora, a relação entre a transmissão do canto e o sexo, a raça, estirpe, linha, etc.
As raças raças estão definidas fundamentalmente por características morfológicas e, também, por características de comportamento e produção: no caso do canário de canto pela actividade canora. Não se conhece nenhuma característica/s genética/s que caracterize com garantia a uma raça ou que nos assegure que um animal pertence a ela; além disso, os genes que regulam a actividade canora dos canários não são bem conhecidos e, provavelmente, como outras actividades de produção em outros animais, seja regulada por um conjunto amplo de genes e a sua transmissão  rege-se segundo critérios de herança quantitativa.
A relação entre morfologia e actividade canora, igual que a de produção em outros animais, é muito duvidosa, posto que provavelmente influencia mais no canto a associação de genes não conhecidos que o regulam, que os genes que regulam as características morfológicas; seleccionar uma determinada morfologia não resulta na melhor actividade canora, ainda que seleccionar segundo a actividade canora desejada pode trazer como consequência um tipo morfológico que depois, como reflexo inevitável, associaremos como bom para a actividade canora: exemplo, pescoço curto, tórax e cabeça largos para o timbrado, ??, etc.
Frequentemente os velhos criadores relacionam a transmissão dos genes relacionados com o canto e o sexo dos pássaros: assim, uns dizem que as fêmeas tem mais influencia nesta transmissão, outros, pelo contrario, dão mais preponderância aos machos, enquanto que outros repartem esta preponderância a partes iguais da seguinte forma: nos acasalamentos, as fêmeas, ao acasalarem , eles fornecem ADN à descendência mais a do seu pai , enquanto que os machos o fazem mais de sua mãe; isto quer dizer, que as fêmeas teriam mais influencia em conformar a genética relacionada com o canto dos varões, enquanto que os machos com a das fêmeas  (assente na crença mais difundida na frase “as fêmeas  dão os machos e os machos dão às fêmeas  ”). 
Contudo, não parece provável que na herança do canto tenha relação com o sexo, a ser esta uma herança poligénica e estar situados nos genes em diversos cromossomas; isto faz improvável a herança ligada a heterocromossomas, e improvável também que haja algum tipo de dominância para algum gene relacionado com o canto, que pudera apresentar alguma dominância no sexo masculino. 
Não obstante, a última palavra serão as futuras investigações.
Dentro de cada espécie, o seguinte escalão na diferenciação segundo as características morfológicas e/ou de produção ou actividade canora é a raça (nos canários, raça timbrado espanhol, raça Malinois, raça Roller, etc.), e dentro desta podem-se diferenciar diversas estirpes, e por sua vez dentro das estirpes podem diferenciar-se diversas linhas 9.
 A extirpe é uma população fechada  dentro de uma raça ou variedade dela submetida a um processo de selecção ao largo de gerações segundo as características preferidas, com uma constituição genética definida, ao qual se consegue-se a partir da terceira geração,e na que se observa uniformidade entre as suas aves, o qual se consegue-se a partir da quinta geração. 
A extirpe é a base fundamental do melhoramento genético, tanto em população única como para cruzamentos com outras; nela seleccionam-se os reprodutores, mas estes acasalam-se à vontade do criador em geral e a sorte: a raça é demasiado amplia e necessitamos de uma população mais concreta com  que trabalhar. Dentro de uma estirpe podem formar-se sub-populações, também fechadas, ao seleccionar uns acasalamentos muito concretos entre alguns reprodutores, também concretos, e dar lugar assim a linhas determinadas, que são muito consanguíneos.

5) ASPECTOS GENÉTICOS NO DESENVOLVIMENTO  DE UMA FAMÍLIA : CONSANGUINIDADE, VIGOR HÍBRIDO E CONTROLO DA CONSANGUINIDADE.



Consanguinidade e cruzamento: O sistema de acasalamento mediante consanguinidade seguido da selecção é um caminho mais curto e seguro que só a selecção para obter bons resultados e, às vezes, o único caminho para fixar mutações e caracteres, e dar lugar à aparição de novas raças de canários. Efectivamente, o "out-breeding", segundo a terminologia anglo-saxônica, o acasalamento de exemplares sem nenhum  tipo de consanguinidade produz-se muita “heterozigotia", mas a percentagem de indivíduos de óptima qualidade costuma ser baixo, ao redor de 15%, fruto de muitas vezes do azar nas combinações dos genes: não é, portanto, um método aconselhável , ainda que os indivíduos terão maior "vigor híbrido": maior resistência frente às doenças e frente a meios adversos, incluído o stress, comportamento e atitude, com mais viveza e actividade, melhor reprodução, etc., expressando o individuo com mais facilidade a constituição genética seleccionada para uma qualidade determinada. Entende-se por cruzamento 9 ou acasalamento de indivíduos de populações diferentes. Estes cruzamentos podem usar-se para diversos objectivos, como a introdução de genes novos (poderiam introduzir novidades no canto ou nas características morfológicas), substituição de umas estirpes por outras mediante cruzamentos absorventes (substituir uma estirpe por outra de mais valor, mediante retro-cruzamentos com a estirpe nova), utilização de certa complementaridade entre estirpes (conjunção de aspectos relacionados com o canto ou outros aspectos), utilização do vigor híbrido (para baixar o grau de consanguinidade em populações excessivamente consanguíneas), ou para formação de novas estirpes ou populações sintéticas (estirpes produto da síntese de outras duas ou três). As vezes, utiliza-se o termo de híbrido para denominar ao produto do cruzamento, intencional de não corresponder-se com o verdadeiro significado que tem esta palavra desde tempos antigos: cruzamento viável mas não fértil, de animais de duas espécies distintas, como é o caso do asno e da égua para produzir a mula.
Contudo, ao trabalhar com populações fechadas ou estirpes –como temos visto ser conveniente para o melhoramento genético dos canários de canto-, iremos aumentando o nível de consanguinidade progressivamente, em função do tamanho efectivo da população: número de reprodutores usados em cada geração.

 Falamos de consanguinidade ou endogamia quando existe um grau de parentesco entre dois seres vivos que pertencem à mesma espécie: estão relacionados através de um antecedente comum; isto  pode se ver analisando a árvore genealógica ou pedigree dos indivíduos, como veremos mais adiante. O efeito principal da consanguinidade é o aumento da homozigotia e diminuição da heterozigotia. 
Isto produz efeitos beneficiosos e prejudiciais na criação de qualquer animal, pelo que é um método de cruzamento que requer um equilíbrio entre estes dois tipos de efeitos. O efeito beneficioso mais importante da consanguinidade como método de reprodução é o de produzir um aumento do aparecimento da homozigotia de caracteres óptimos recessivos. Os efeitos negativos da consanguinidade são variados: perde-se "heterozigotia", dando lugar ao aparecimento de homozigotia de genes recessivos para factores letais e de genes recessivos e  com uma frequência superior ao normal, já que muitos destes genes permanecem ocultos em estado heterozigótico nas populações não endogámicas. A perca  do vigor híbrido, dá lugar à "depressão endogámica", caracterizada no canário por uma diminuição da capacidade reprodutora  uma menor postura, alterações da incubação e,talvez , menor qualidade dos ovos e do desenvolvimento  da descendência, diminuição do peso e do tamanho , a uma menor resistência às doenças, maior sensibilidade nas variações ambientais, diminuição da vitalidade, etc.
Para controlar equilibradamente a consanguinidade é necessário chegar ao estrito registo da mesma mediante uma árvore genealógica e utilizar programas de acasalamento sucessivos pré-estabelecidos para obter um grau desejado de consanguinidade. Em consequência, devemos usar para os nossos exemplares de canários uma ficha para apontar o pedigree; isto ajudará-nos a reconhecer o mecanismo por ele que se transmite um determinado carácter e o grau de consanguinidade nos acasalamentos que realizamos.



A consanguinidade está tipificada segundo várias classes; estreita ou "inbreeding": de primeiro grau -pais / filhos, irmãos/irmãs - e de segundo grau - avôs /netos e filhos de pai ou de mãe-; mediana, de terceiro grau -bisavô/ bisneto e tio-sobrinho- e quarto grau entre primos irmãos; e aumenta - desde grau 5º a 10º - que é a chamada "line-breeding".

Elementos que compõe a linguagem  da árvore  genealógica: O sexo masculino representa-se por um quadrado e o feminino por um círculo; as gerações representam-se por linhas horizontais e enumeram-se com números romanos, e cada membro de uma geração  numera-se com números árabes; os cruzamentos representam-se por um traço horizontal que une os casais, e do traço horizontal sai um vertical que abarca a todos os filhos ; com dupla linha representam-se os acasalamentos consanguíneos: cada carácter que se estuda representa-se preenchendo o quadrado ou círculo com um sombreado determinado. Na Figura 7, representamos a terminologia descrita.

6) CONCLUSÕES:


1) As características canoras que mostra um exemplar não são a expressão directa do seu genotipo, senão do seu fenotipo; isto quer dizer, da conjunção do genotipo com o meio ambiente a que esteve exposto; em consequência, é importante conhecer quais destas características formam parte do genotipo e se transmitem, e quais não se transmitem .

2) A canaricultura de canto Timbrado Espanhol requer uma sabedoria na eleição dos progenitores, mas também a arte de conjugar os factores ambientais óptimos para actuem sobre o génotipo  das crias.

3) As características de canto dos canários estão reguladas pela conjunção de numerosos genes que interagem entre sí, formando como uma rede; estes genes transmitem-se em conjunto segundo critérios de “Herança Quantitativa”, não segundo as leis de Mendel.

4) O “Genotipo” dos canários de canto regula a actividade canora através da função que realiza o “Sistema de Controlo do Canto” por meio dos “Núcleos Cerebrais” e a sua “Modulação Hormonal”; através, também, do controlo dos “Períodos Sensitivos de Aprendizagem”, da “Diferenciação Sexual Cerebral” e do ”Comportamento Social”.

5) A composição genética de irmãos dos mesmos  pais não é idêntica, devido ao processo de “Meiose”.

6) A rede de núcleos cerebrais, estimulada pelas hormonas sexuais, forma um “circuito” que permite ao canário chegar a possuir um canto estereotipado adulto, graças ao que memoriza o canto que ouve, compara-o com o que executa ele mesmo , e é capaz de adaptar mediante o treino o seu canto já memorizado: estes são os “Mecanismos Básicos do Canto”.

7) O melhoramento  genético dos canários requer seleccionar os indivíduos melhor dotados e acasala-los entre si , dentro de uma população fechada e uniforme .

8) A possível associação de uma morfologia determinada com uma óptima actividade canora, não é causal.

9) Não dispomos de dados objectivos que sustentem razoavelmente uma prioridade associada ao sexo na transmissão do canto.

10) A canaricultura mediante populações fechadas carrega a vantagem de conseguir  a homozigotia dos caracteres canoros óptimos; sem contudo, o risco de “Depressão Endogámica” obrigando a controlar o grau de consanguinidade; é necessário, pois, trabalhar com árvore genealógica e esquemas concretos de reprodução.

7) BIBLIOGRAFÍA:


1) Carlos Buxadé Carbó. Mecanismos de la herencia. (En) Carlos Buxadé Carbó. Genética, patología, higiene y residuos animales. Ediciones Mundi-Prensa. Madrid 1995. Pg. 33-51.

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